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Eu estou; bem, aqui...

Eu sempre senti vontade de viajar, de sair do país, de ir de um lado para outro, sem rumo ou direção. Essas atitudes joviais que sempre nos movem, diretamente, no sentido do desafio de “conhecer o desconhecido” e sentir na pele como estão as coisas aí fora. Eu pensava que ser liberto era simplesmente ir, porque ir é simples mesmo. Então, eu passei a repensar, e agora repensar me movimenta, repensar faz com que eu seja diferente do que era quando mais jovem, do jovem que agora sou e daquele que sempre serei. Sim, eu gosto mesmo da idéia de não estar aqui quando um pouquinho mais velho, mas, já não por tanto tempo. A minha cidade é Curitiba, ela me seduz, com seu ar europeu e seu sol litorâneo no fim da tarde com brisa gelada, eu sinto que faço parte da construção dessa harmonia encantadora. Mesmo que as pessoas digam que aqui não tem gente simpática, eu digo que tem sim! E elas são simpáticas da forma delas, e ainda, são bonitas mesmo, não é mentira. Você seria simpático 7h em um ônibus lotado? Claro que não! E realmente eu não me importo com o que os outros pensam, eu penso que gosto daqui. Eu sinto falta da minha cidade, do lugar que me acolheu, do lugar que é meu! Eu gosto da boêmia, da rotina dos bares, daqueles que eu vou e dos que ainda quero conhecer, eu gosto do “cheiro da música” daqui. Eu sinto saudades! "E por falar em saudades” como eu estava com saudades do meu lugar, como eu estou com saudades das pessoas do meu lugar! Eu recordo que li um francês que dizia que “a causa da nossa desgraça reside na debilidade da nossa vontade”. Ou seja, nossas escolhas são frágeis, por isso achamos que os outros lugares são melhores, claro que às vezes é bom mudar, mudar de ares, mudar  de espaço, e se você não sente bem com as pessoas ao seu redor, se elas te fazem mal de alguma forma, mudar as pessoas que convivem contigo (desde já declaro que mesmo que algumas sejam inconvenientes você sentirá saudades).
Sentado à mesa de vidro de sempre, eu gosto do sentimento de estar aqui, no lugar que me move. Eu não posso dizer que ele é bom ou ruim para as pessoas, ele é só o meu lugar! É o lugar dos meus tambores, da diversidade cultural das pessoas que comigo convivem. Sempre teremos escolhas, podemos ficar ou sair, mas, antecipo, sentiremos saudades daqui. Do passeio no Parque Barigui só pra descontrair, sem muitas intenções, e mesmo assim você encontrará muita gente, até aquelas que não vê há tempos. Quando for dar aquela volta na rua XV, vai ficar espantado com os “palhacinhos” do bondinho que fazem sacanagem com todo mundo que passa e irá dar belas risadas por ali, ao caminhar pelas ruelas laterais da Catedral, poderá sentir-se em qualquer parte do Brasil, porque ali tem bastante história. Um dia eu achei que fosse alguém que fizesse parte do mundo, cheguei a escrever sobre a criação de identidades novas na performance da minha vida. Eu sou de leão, gosto das cores, e qualquer uma, não tenho gosto refinado para cozinha, mas, sou educado aos moldes curitibanos. Aquele que sempre sabe de tudo e tudo sabe, sem mesmo nunca ter ouvido falar daquilo! Não posso dizer eu que é falta de bom senso da nossa parte, é apenas uma forma de destacar que estamos preparados e sempre prontos. Que somos simpáticos, mas, nem sempre! E não depende apenas de quem você é ou o que você é, mas sim quem você se tornou para nós! Aos nossos olhos...porque o nosso olhar muda quando você “forasteiro” muda seus olhos pra gente! Eu aprendi que as pessoas podem ser as melhores para nós. Aprendi que eu posso dar o melhor de mim para elas. E mesmo que isso perdure! É aqui que tem tudo que eu preciso. É aqui que eu me sinto em casa...

ao som de Onde anda você (Vinícius de Moraes e Toquinho)

Comentários

  1. Belo texto... Gabarito
    Também gosto desta Curitiba, principalmente o palco underground, onde niguém é obrigado a ser simpático apenas por aparência, esta Curitiba que me fascina, não é a "cidade modelo" e limpa que turistas comentam, e sim a das peculiaridades do centro antigo, do Pierog do Tadeu e das feirinhas. Mudar é ótimo, mas a maior e mais representativa mudança é a inteior!

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  2. Eu tbm pensei um dia que estar liberta era simplesmente ir, deixar aqui na cidade tudo que um dia me magoou, me decepcionou, todas as tristezas que atormentavam meu coração. Mas por alguma razão algo bem mais forte do que eu me perguntou: Ta fugindo do que? E a resposta me veio na hora: De mim mesma. Então eu fiquei e enfrentei meus medos, enfrentei a mim mesma...e hj estou liberta. A ideia de ir, hj mais amadurecida, me causa imensa necessidade de simplesmente conhecer o novo, agora já é hora de conhecer o mundo, já q eu conheço a mim mesma. Hj eu sei oque é liberdade, e sei que preciso dela. Boas palavras Pedro, vc tem nome e alma de poeta.

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  3. Olá Pedro, sou um dos participantes do curso em Pesqueira - PE, Jean Karlo. Olha, me identifiquei com o texto, muito bonito. Vc escreve com muito sentimento. E quanto ao livro, o Caminho de Sombras, o que achou

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