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Sereia...

No banco de areia lá longe; bem longe, sinto no olhar do menino o desejo de ir além.  Conduzindo na prosa os versos da menina simples, da face animada e boca rosada, em breve momento de concentração do seu olhar. Olhos de cores incertas, mas vivas. Olhos claros como seu próprio coração, vivendo apenas um lado só de um mundo ainda por ela desconhecido. Buscando em movimentos exatos e lúcidos o destino desfocado, e ainda, posto em dúvida em momentos importantes. Dançam como amantes latinos uma simples canção, invocando o desejo do toque de um ao outro, saindo deles o desejo de esquecerem quem são.
Traz ela a alegria da moça risonha, um menino “infanto-esperto-vivido”, cheio de outras intenções por outros, não entendidas. Como numa orquestra que ensaia com músicos medianos, sendo que em seu meio existe uma perola ainda não conhecida. Dona de potencial que a mesma coloca em duvida, sem no mínimo ter a capacidade de poder entender tudo o que pode! Numa linguagem rebuscada, podes no mínimo pedir ao sol para cobrir seu corpo, sem preocupar-se então com o cinza da manhã. Agora, a moça, ainda, carregado aos braços do genitor, sem poder escolher à própria sorte se vai ao descanso de outrem. Mas, ela tem lá seus compromissos, se remete ao planalto curitibano e vai até a “toca dos peixes” pra poder cuidar dos que ali precisam dela. E como ela tem, quer em todos por ali, lindos sorrisos que fazem verões ficarem ainda mais alegres.
Sem pensar no garoto do barranco de areia e na menina cheirosa do sorriso agradável; escutamos de longe o sussurro da sereia que paralisa todos como numa pintura desenhada à muitos anos atrás; sem prender-se no que se foi vivido, ela transmite sua energia, iluminando e conduzindo todos num só sentimento “A Liberdade”. Quando caminha em sua direção uma mocinha com “mariscos empalhados” as mãos, esperando a aprovação da sereia a criança se distancia da sua resposta quando a moça de olhos claros pega seus bichinhos pra brincar.
Ela senta à beira da praia, brinca com a mocinha, sorri por breves momentos e se vai então...Deusa no corpo de menina...a saudade nos invade quem nem maré...Sonhaste com a amante latina à querendo e desejando como se última fosse...
A noite vence a luz da escuridão...
Ela se foi...

Praia de Ipanema - garoa noturna 3h15mim
“Fênix – Jorge Vercilo”

Comentários

  1. Fiquei simplesmente SEM PALAVRAS com esse texto!!! Aposto que a menina com olhos de cor incerta sente a "saudade invadir que nem maré"... Beijos... Vanessa.

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  2. "Há momentos na vida que são únicos, não pelo tempo que duram mas pela intensidade com que acontecem."(Fernando Pessoa)
    A cumplicidade das emoções, porém o entender e não aceitar das realidades divergentes... A intenção do toque, porém a distância dos corpos... A ternura dos sorrisos, porém o devorar dos beijos... A suavidade dos abraços, porém os movimentos de posse e domínio... E tudo está perfeito como está, ou como não está... tornando estes momentos inesquecíveis e estas pessoas incomparáveis!!!

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